Trabalhadores Revolucionários

Como os trabalhadores tornam-se revolucionários?

Se sairmos às ruas e perguntarmos a alguns trabalhadores se eles querem uma revolução, temos poucas dúvidas quanto à resposta que nos darão. Aqueles que não pensarem que somos loucos, provavelmente ficariam muito espantados com nossa pergunta.

Esta indiferença ou mesmo oposição dos trabalhadores em relação ao socialismo não é nada surpreendente. Todos nós fomos criados em uma sociedade capitalista em que se considera coisa comum o fato de todos serem egoístas, em que os jornais e a TV dizem que somente uma minoria privilegiada tem capacidade de tomar decisões importantes nas indústrias e no governo, em que a grande maioria dos trabalhadores é ensinada desde o seu primeiro dia na escola a obedecer ordens dadas por aqueles que são ‘mais velhos e mais sábios’.

Como disse Marx, ‘as idéias dominantes são as idéias da classe dominante’ e um vasto número de trabalhadores as aceita. Ainda assim, várias vezes na história do capitalismo, movimentos revolucionários da classe trabalhadora têm abalado um país atrás do outro. Na França em 1871, na Rússia em 1917, Alemanha e Hungria em 1919, Itália em 1920, Espanha e França em 1936, Hungria em 1956, França em 1968, Chile em 1973, Portugal em 1975, Irã em 1979 .

A explicação para esses levantes reside exatamente na própria natureza do capitalismo. O capitalismo é um sistema que tende para a crise. A longo prazo, ele não pode fornecer pleno emprego, não pode oferecer prosperidade para todos, não pode assegurar nossos atuais padrões de vida contra as crises que ele irá produzir futuramente. Mas durante os períodos de expansão do capitalismo, os trabalhadores chegam a esperar essas coisas.

Por exemplo, em 1950, os trabalhadores ingleses chegaram a esperar pleno emprego, um ‘bem estar’ e uma gradual mas real melhoria em seus padrões de vida. Diferente disso, nos últimos dez anos sucessivos governos permitiram o desemprego crescer até atingir um milhão e meio de pessoas, transformaram o ‘bem estar’ em sucata e tentaram seguidamente piorar a qualidade de nossas vidas.

Porque passamos por uma lavagem cerebral através das muitas idéias capitalistas que absorvemos, nós aceitamos esses ataques. Mas inevitavelmente chega-se a um ponto em que os trabalhadores concluem que já não podem mais agüentar. De repente, quando ninguém espera, sua ira explore e eles tomam algumas iniciativas contra os patrões ou o governo. Talvez seja através de uma greve ou de manifestações.

Quando isto acontece, gostem eles ou não, os trabalhadores fazem coisas que contradizem todas as idéias capitalistas que eles antes aceitavam. Começam a agir de forma solidária uns com os outros, como uma classe, contra os representantes da classe capitalista.

As idéias do socialismo revolucionário que eles costumavam rejeitar logo de cara, agora começam a se adequar ao que eles estão fazendo. Pelo menos alguns dos trabalhadores começam a levar a sério aquelas idéias – desde que elas estejam acessíveis.

O alcance em que isso se dá depende do alcance da luta, não das idéias que já estavam nas cabeças dos trabalhadores. O capitalismo força-os a lutar mesmo quando eles estejam com a cabeça cheia de idéias pró-capitalistas. E é a luta que os faz questionar estas idéias.

O poder capitalista repousa em dois suportes: controle dos meios de produção e controle do Estado. Um movimento revolucionário verdadeiro começa entre um grande número de trabalhadores quando as lutas por interesses econômicos imediatos (por salário, emprego, etc.) leva-os a entrar em choque com esses dois suportes do capitalismo.

Tomemos como exemplo um grupo de trabalhadores empregados na mesma empresa por anos. Todo o seu padrão de vida normal e enfadonho depende do trabalho que desempenham ali. Um dia o patrão anuncia que vai fechar a fábrica. Mesmo aqueles trabalhadores que são os eleitores mais conservadores entram em pânico e querem fazer alguma coisa. No desespero, eles decidem que o único meio de continuar a levar o mesmo tipo de vida que o capitalismo os ensinou a viver é ocupar a fábrica e tomar do patrão o controle dos meios de produção.

Logo eles descobrem que isso significa comprar briga também com o Estado, uma vez que o patrão chama a polícia para conseguir de volta o controle de sua propriedade. Se quiserem ter qualquer chance de manter seus empregos, os trabalhadores agora terão que confrontar também a polícia, a máquina estatal, assim como os patrões.

Desse modo o próprio capitalismo cria as condições para um conflito que abre a mente dos trabalhadores para idéias completamente opostas àquelas que o sistema ensinou a eles. É por isso que a história do capitalismo tem sido marcada por periódicas irrupções de sentimentos revolucionários entre milhões de trabalhadores, mesmo quando na maioria das vezes a maioria deles aceitem as idéias que o sistema lhes impõe.

Uma última questão. Uma das coisas mais fortes a impedir muitos trabalhadores de apoiar idéias revolucionárias é o sentimento de que não adianta fazer nada porque os outros trabalhadores não vão apoiá-los. Mas quando eles descobrem que os outros trabalhadores estão agindo, subitamente saem de sua apatia. O mesmo acontece quando os trabalhadores que antes se achavam incapazes de governar a sociedade, ao travarem grandes lutas contra a atual sociedade, acabam por se dar conta de estão tomando para si muito desse tipo de encargo.

É por isso que uma vez iniciados, os movimentos revolucionários podem crescer como uma bola de neve a uma velocidade espantosa.

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