A Classe Trabalhodora

A Classe Trabalhadora

 

MARX iniciou O Manifesto Comunista com a declaração, ‘a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. ‘

A questão de como a classe dominante obrigava a classe oprimida a produzir riqueza para ela era crucial. Por causa disto, em todas sociedades anteriores, ocorreram enormes lutas entre as classes, que freqüentemente culminaram em guerra civil – as insurreições de escravos na Roma Antiga, as insurreições camponesas na Europa Medieval, as grandes guerras civis e revoluções dos séculos l7 e l8.

Em todas essas grandes lutas, a massa das forças insurgentes vinha da parte mais oprimida da sociedade. Mas, como Marx logo acrescentou, no final todos os esforços dessa maioria oprimida só serviram para substituir no governo uma minoria privilegiada por outra. Por exemplo, na China Antiga houve várias revoltas camponesas bem sucedidas – mas elas apenas substituíram um imperador por outro. Da mesma forma, aqueles que mais lutaram na Revolução Francesa eram o ‘Bras Nus’ – as classes mais pobres de Paris. Mas no final, a sociedade acabou não sendo governada por eles, mas sim pelos banqueiros e industriais que assumiram o lugar do rei e dos nobres.

Havia duas razões principais para esta impossibilidade das classes baixas em manter controle sobre as revoluções nas quais elas lutaram.

Primeiramente, o nível geral de riqueza da sociedade era bastante baixo. E isso acontecia porque a grande maioria das pessoas foi mantida em enorme pobreza para que uma pequena minoria tivesse tempo e sossego para desenvolver as artes e ciências para manter a civilização. Em outras palavras, a divisão social entre classes era necessária para que sociedade pudesse progredir.

Em segundo lugar, a vida das classes oprimidas não as preparou para dirigir a sociedade. Em geral eles eram analfabetos, faziam pouca idéia de como as coisas eram além da localidade em que viviam e, acima de tudo, sua vida jogava uns contra os outros. Cada camponês só se preocupava em cultivar seu próprio pedaço de terra. E nas cidades, cada artesão trabalhava em seu pequeno negócio. Desse modo, competia com outros artesãos, e não se unia com eles.

As revoltas camponesas começavam com um grande número de pessoas exigindo a divisão das terras do senhor feudal local, mas uma vez derrotado o senhor feudal, essas pessoas começavam a brigar entre si sobre como as terras seriam divididas. Como afirmou Marx, os camponeses eram como batatas em um saco. Eles podiam ser mantidos juntos por uma força externa, mas eram incapazes de se juntar permanentemente para defender seus próprios interesses.

Os trabalhadores que criam a riqueza sob o capitalismo moderno diferem de todas as classes subordinadas anteriores. Primeiro porque a divisão de classes já não é mais necessária para o progresso humano. A sociedade capitalista cria tanta riqueza que ela mesma a destrói periodicamente, em quantidades enormes, em guerras ou crises econômicas. Uma riqueza que poderia ser dividida igualmente e ainda permitir à sociedade um florescimento nos campos da ciência, artes e assim por diante.

Em segundo lugar, a vida sob o capitalismo prepara de várias formas os trabalhadores para tomar o controle da sociedade. Por exemplo, o capitalismo necessita de trabalhadores que sejam qualificados e instruídos. O capitalismo também força milhares de pessoas a se reunirem em grandes locais de trabalho em enormes conurbações, onde elas ficam em contato umas com as outras, e onde eles podem tornar-se uma poderosa força de transformação social.

O capitalismo leva os trabalhadores a cooperar na produção dentro das fábricas, e estas habilidades podem facilmente ser direcionadas contra o próprio sistema, como acontece quando os trabalhadores se organizam em sindicatos. O fato de estarem concentrados em grandes unidades produtivas torna mais fácil para os trabalhadores controlarem estas unidades. Fato que não acontecia em relação às classes dominadas anteriores.

Além disso, o capitalismo tende pouco a pouco a transformar grupos de pessoas que se acham superiores aos trabalhadores manuais (como bancários, professores, funcionários públicos, técnicos etc.) em trabalhadores que são forçados a organizar seus sindicatos, do mesmo modo que os outros trabalhadores.

Recentemente, o desenvolvimento das comunicações – estradas de ferro, estradas, transporte aéreo, correios, telefone, rádio e TV – vem permitindo aos trabalhadores se comunicarem com localidades ou fábricas distantes. Desse modo, podem se organizar como classe em escala nacional e internacional. Algo muito além dos sonhos das antigas classes dominadas.

Todos esses fatos significam que a classe trabalhadora não se limita a ser uma força capaz de se rebelar contra a sociedade existente, mas que ela pode se organizar, elegendo e construindo seus próprios meios de representação, para transformar a sociedade segundo seus próprios interesses, e não apenas para instalar no poder outro imperador ou grupo de banqueiros. Como disse Karl Marx: ‘Todos os movimentos anteriores na história foram movimentos de minorias a favor dos interesses de minorias. O movimento proletário é o movimento consciente e independente da imensa maioria a favor dos interesses da imensa maioria’.

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