Jovens aderem apps de mensagens e Facebook sofre ameaça

São Francisco – Crie um perfil pessoal. Construa uma rede de amigos. Compartilhe fotos, vídeos e música. Pode até parecer com o Facebook, mas milhões de jovens familiarizados com a tecnologia estão optando por uma onda de aplicativos de mensagens para smartphones que estão conquistando a América do Norte, Ásia e Europa.

Os apps mais procurados incluem Kik e Whatsapp, ambos produtos de startups norte-americanas, bem com o KakaoTalk, da Kakao; o LINE, da NHN; e o WeChat, da Tencent Holdings, que floresceram em mercados asiáticos.

Combinando elementos de serviços de mensagem de texto e redes sociais, os apps oferecem um caminho rápido para que os usuários troquem toda espécie de informação — de mensagens curtas a fotos sensuais e clipes do YouTube — sem que precisem dos planos de SMS das operadoras ou das redes sociais estabelecidas originalmente como sites na Web.

O Facebook, com um bilhão de usuários, continua a ser de longe o site mais popular do mundo, e seu recente foco nos aparelhos móveis fez dele também o app mais usado em smartphones.

Mas investidores e observadores do Vale do Silício dizem que existe uma possibilidade de que os apps de mensagens ameacem o domínio do Facebook, nos próximos anos. Os maiores desses aplicativos estão começando a emergir como “plataformas” completas, capazes de funcionar com apps criados por terceiros, a exemplo de jogos.

É claro que muitos dos usuários dos novos apps continuam no Facebook, o que indica que a gigante da mídia social não corre grande risco de perder mercado, no momento.

E em um evento para a imprensa, esta semana, a companhia divulgará notícias relacionadas ao Android, o mais popular sistema operacional para smartphones, o que pode incluir uma nova versão do Android com maior integração às ferramentas de mensagens do Facebook – ou até um celular com a marca Facebook.

Mas as empresas que parecem a caminho de dominar o mundo das mensagens podem realizar grandes avanços, dizem os investidores. “Interações verdadeiras têm natureza conversacional”, diz Rich Miner, sócio da Google Ventures, que investiu no MessageMe, um novo app que está chegando ao mercado de mensagens.

“O número de pessoas que usam mensagens de texto e telefonam é superior ao número de pessoas que usam redes sociais. Se uma empresa dominar o que vier a substituir esse tráfego, estamos por definição diante de algo grande”.

O grande desafio para o Facebook é atrair de volta usuários como Jacob Robinson, 15, aluno de segundo grau em Newcastle, no Reino Unido, que disse que o app de mensagens Kik “estourou” entre seus amigos cerca de seis meses atrás. O Kik continua a ser o app mais usado em seu celular Android porque é a melhor maneira de enviar diferentes tipos de mensagens multimídia gratuitamente, o que ele estima fazer 200 vezes ao dia.

Robinson diz que troca fotos de seus trabalhadores escolares quando fica estudando – ou não – para uma prova até tarde.

“Também viramos a noite trocando mensagens com nossos celulares, procurando vídeos engraçados no YouTube e enviando-os rapidamente aos amigos”, ele disse. “É fácil. O acesso ao Kik é rápido”.

O Facebook “realmente começou a perder terreno por aqui”, disse Robinson, acrescentando que interações no Facebook são menos interessantes que conversar em tempo real.

A Kik, de Waterloo, Canadá, já conquistou 40 milhões de usuários desde seu lançamento, em 2010. Entre as empresas do Vale do Silício que estão na corridas há a Whatsapp, capitalizada pela Sequoia Capital, e a MessageMe, lançada no começo do mês passado por um grupo de produtores de jogos virais.

Enquanto isso, companhias asiáticas vêm produzindo alguns dos apps de mais rápido crescimento. O WeChat, da Tencent, tem mais de 400 milhões de usuários – número bem superior ao do Twitter, para comparação – e o LINE e o KakaoTalk têm, respectivamente, 120 milhões e 80 milhões de usuários. Os dois apps já prepararam o terreno para se expandir nos Estados Unidos.

Enquanto as redes sociais estabelecidas correm para incorporar recursos de mensagem, os apps mais novos procuram criar plataformas de rede que permitam incorporar diversos recursos e habilitar inovações por desenvolvedores externos.

“Para uma rede social, o caminho estabelecido é criar a rede, depois criar apps próprios e por fim abrir a plataforma a desenvolvedores externos”, disse Charlie Hudson, sócio da SoftTech VC, uma companhia de capital para empreendimentos que investe em empresas iniciantes.

Mas as redes sociais estabelecidas também podem tentar tomar o controle dos rivais iniciantes – e o Facebook já demonstrou seu apetite por aquisições.

Kent Goldman, sócio da First Round Capital, uma empresa de capital para empreendimentos, disse que era improvável que o mercado fosse capaz de sustentar grande número de empresas independentes de mensagens, em longo prazo, porque o crescimento tornaria algumas delas mais poderosas.

“E ninguém vai querer ser o mais fraco quando chegar a hora”, disse ele.

Fonte: Abril

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