Governo federal prioriza uso de tecnologia livre

O uso e fomento de tecnologia livre no governo federal está cada vez maior. Para os órgãos federais, o banco de dados PostgreSQL é sem dúvida a primeira opção a ser adotada, quando se analisa os projetos de TI. Essa foi a constatação de representantes das áreas de tecnologia que estiveram reunidos na 3ª Conferência Brasileira de PostgreSQL (Pgcon), realizada na última semana (23 e 24), em Campinas.

Para debater esse assunto, a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev) convidou especialistas em TI do Ministério da Educação (MEC), Caixa Econômica Federal (CEF), Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e Companhia de Informática do Paraná (Celepar) para poderem juntos mostrar como o governo federal e outras esferas de governo têm mudado sua política de Tecnologia da Informação e adotado cada vez mais soluções livres para o desenvolvimento de seus sistemas. Essa mesa de debate  ocorreu na manhã do segundo dia de encontro (24) e contou com uma plateia de mais de cem pessoas.

Experiências – Além de coordenar a mesa de discussão, a Dataprev participou do debate explicando que, até três anos atrás, o uso de tecnologia livre era pouco utilizado pela empresa. A partir do último triênio, a empresa resolveu adotar o uso prioritário de PostgreSQL em seus projetos de desenvolvimento de software.

Além de iniciar a migração do maior banco de dados sociais da América Latina para plataforma baixa (são mais de 7,2 milhões de linhas de código e cerca de 70 sistemas), a empresa reuniu suas cinco células de desenvolvimento em software livre, que compõem a Unidade de Desenvolvimento Software Livre (UDSL).

Outra política interessante, segundo o representante da Dataprev na mesa de discussão, o assessor Cláudio Ferreira Filho, foi a de envolver mais os funcionários da empresa dentro das comunidades de software livre. “A ideia é que eles passem 10% do tempo de trabalho ajudando a desenvolver projetos em Postgre que não necessariamente são aqueles utilizados atualmente pela Dataprev.

Sabemos que em breve muitas dessas soluções poderão ser úteis à empresa”, afirmou Ferreira Filho, que também é do projeto BrOffice.org. “O Postgres é uma ferramenta que não queremos apenas utilizá-la, mas aumentar a governança no desenvolvimento de banco de dados”, completou.

O coordenador da Mesa e assessor da Diretoria de Infraestrutura de TIC (DIT) da Dataprev, José Augusto de Carvalho, lembrou que atualmente a Dataprev faz grandes investimentos em relação a aquisição de licenças proprietárias de bancos de dados. “Com a migração dos mainframes, esperamos que, até o fim do ano que vem, esses investimentos se equilibrem. Assim, poderemos reinvestir estes recursos em treinamento, capacitação e consultorias em tecnologias como o PostgreSQL”, afirmou o assessor.

Outros casos – Na Caixa Econômica Federal, o banco de dados para os projetos envolvendo equipamentos X86 da empresa é o PostgreSQL. “Com exceção dos mainframes, os projetos hoje já nascem em Postgres. Temos uma série de sistemas legados que aos poucos estamos migrando”, afirmou o representante do banco na mesa de discussão, Rodrigo Evangelista de Castro. “Hoje temos mais de 21 mil terminais de autoatendimento funcionando em Linux. Os sistemas de jogos da Caixa também são todos em Linux”, exemplificou Evangelista.

No MEC, a dificuldade maior, segundo o representante daquele ministério, Marcelo Takatsu, foi unificar a parte de TI em torno de uma diretoria própria. “Até cinco anos atrás, cada secretaria tinha uma equipe de tecnologia. Assim, quando resolvemos juntar tudo, vimos que cada uma utilizava uma tecnologia diferente. Percebemos, porém, que as equipes que adotaram software livre tinham uma produtividade maior”, constatou Takatsu. “Hoje, 65% dos bancos de dados do Minsistério são em Postgres”, salientou.

No Serpro, o primeiro desafio foi promover uma mudança cultural no quadro funcional, para que os empregados entendessem que desenvolver programas com tecnologia livre significa independência tecnológica em relação ao mercado de TI mundial. “Tivemos que sair daquela cultura de gerenciamento de contratos para trabalhar no desenvolvimento de sistemas em software livre”, explicou a representante do Serpro à Mesa, Marisa Rublescki Silveira.

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