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A guerra Irã x Iraque – 1980–1988

A explicação oficial do governo iraquiano para a guerra, iniciada em 22 de Setembro de 1980, foi a disputa de Shatt al Arab. Essa é uma área de acesso ao golfo pérsico localizada na fronteira dos dois países. Essa história vinha desde os tempos de Império Otomano vs Pérsia. Outra disputa antiga que foi usada como desculpa nessa guerra foi a da região do Khuzestan. Este era parte da mesopotâmia (atual Iraque) e havia sido tomado pelo Irã durante o periodo do Império Otomano. O Ba’ath já dizia que o Khuzestan deveria ser retornado ao Iraque desde que chegou ao poder, em 1968.

Como sempre, os reais motivos para a guerra eram bem mais recentes. Saddam e sua turma queriam dominar a região, embalados ainda nas suas teorias Pan-árabes. Mas mais que isso, Saddam estava morrendo de medo. E com razão. Depois da queda do Shah, o Irã se tornou um problema incontrolável para o Ba’ath. Khomeini era tão brutal quanto Saddam, com a vantagem de ter total controle sobre a maioria do seu povo. Era uma questão de tempo para que uma nova revolução islâmica explodisse em Karbala ou Najaf (cidade aonde Khomeini morou por 15 anos). Simplificando, Saddam tinha duas opções: tentar uma arriscada aliança iraniana (como havia feito com o Shah) ou partir para ofensiva.

A guerra era uma opção tentadora. O Iraque tinha uma vantagem militar enorme sobre o Irã: 190.000 soldados, 2.200 tanques e 450 aviões MiG-23 e MiG-21 soviéticos de última geração. Do outro lado, o Irã tinha menos de 1.000 tanques, um exército desorganizado e equipamentos muito mais velhos, como os F-4 Phantom americanos da época do Shah. Mais que isso, a revolução islâmica isolou o Irã do ocidente, antigo fornecedor de armas. Todos acreditavam numa vitória rápida do Iraque.

Mas Saddam não contava com o nacionalismo iraniano. O “Army of Twenty Million” mandou 200 mil iranianos para as fronteiras em Novembro de 1980. Muitos eram antigos aliados do Shah, buscando um novo status na teocracia dos aiatolás. Além disso, Saddam cometeu varios erros estratégicos. Ele contava que 3 milhões de árabes do Khuzestan iriam se juntar aos iraquianos. A enorme maioria se juntou ao exército iraniano. Ele achava que conseguiria destruir os aviões iranianos com seus bombardeios iniciais, mas não conseguiu (os hangares era muito mais resistentes do que imaginado). O Iraque só se deu bem no começo da guerra porque o Irã também errou muito. Os xiitas do Sul se juntaram ao exército iraquiano, contrariando as expectativas de Khomeini, que havia colocado poucas tropas no sul. Adicione a tudo isso a ineficiência dos comandantes iraquianos e a abundância de soldados suicidas do Irã, e acabou-se tendo uma guerra muito mais equilibrada (e consequentemente sangrenta) do que qualquer um poderia imaginar.

O envolvimento do ocidente nos primeiros anos da guerra foi pequeno, principalmente porque o Iraque estava levando a melhor. Depois da crise dos reféns americanos, o Iraque parecia um mal bem menor que o Irã. Com a gradual ascensão iraniana, e com o aumento dos ataques iranianos aos navios petroleiros, o ocidente e certos paises árabes (principalmente Arábia Saudita e Kuwait) começaram a dar uma mão para o Iraque. E a ajuda chegou na hora certa: Saddam estava ficando sem dinheiro.

O Iraque chegou a gastar 3/4 do seu GDP em armamentos durante a guerra. Entre 1981 e 1985, o Iraque vendeu 48.4 bilhões de dólares em petróleo. No mesmo periodo, os gastos com armas chegaram a 120 bilhões de dólares.

Apesar de quase 80% dar armas virem da União Soviética e França, não fatavam outros candidatos dispostos a entrar na fila: Alemanha, China, Coréia do Norte, Síria, Líbia, Egito… Brasil (quarto maior fornecedor de armas). Os EUA ajudaram o Iraque de outras maneiras: dinheiro, materiais, e expertise militar.

Os EUA também se envolveram no lado iraniano, no famoso episódio do Ira-contras. Mas no geral, poucos países ajudaram o Irã durante a guerra (o que diz muito sobre a incompetência iraquiana).

Em 1988, depois de matar 1.5 milhão de pessoas e de basicamente voltar ao ponto de partida na disputa territorial, os 2 lados aceitaram uma trégua (o fim da guerra nunca foi assinado).

O retrato do Iraque não poderia ser pior: uma dívida de aproximadamente 77 bilhões de dólares (27 bilhões para o ocidente e 50 bilhões para paises do Golfo), produção de petróleo comprometida, disputas internas, e o quarto maior exercito do mundo: um milhão de soldados, 4500 tanques, medium range missiles, arsenal de armas biólogicas e químicas (usadas durante a guerra), e um programa nuclear.

E pior de tudo: um vizinho rico dando sopa.

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